sábado, 19 de maio de 2012

Onde estão às mulheres negras na historia e nos espaços de poder?

 
            Praticamente essas pessoas são excluídas da história. E nos espaços de poder quase nunca aparecem e quando isso acontece não demora muito para que a sociedade a esqueça. A população negra no Brasil e no mundo é muito discriminada, e o fator causador dessa discriminação é simplesmente a cor, cor que não foi feita para distinguir pessoas. O fato de uma pessoa ser negra não quer dizer que ela é menos competente que outra ou menos inteligente que qualquer outra.
            Essa discriminação vem acontecendo mais frequentemente entre as mulheres, que são discriminadas historicamente e socialmente nas diversas formas e etapas de suas vidas. Por isso ser mulher significa enfrentar desafios e ser consciente da necessidade de conquistar a efetivação de seus direitos, na pratica de novas relações sociais entre mulheres e homens, sobretudo as mulheres negras.
            A situação da mulher negra no mundo de hoje manifesta um prolongamento da realidade vivida no período de escravidão, não tendo muitas mudanças, pois ela continua em ultimo lugar na escala social e é ela que mais carrega as desvantagens do sistema injusto e racista que ainda é vivido no mundo de hoje. Pesquisas comprovaram que as mulheres negras apresentam um baixo nível de escolaridade, trabalham mais e recebem menos, e as poucas que vencem o preconceito da discriminação racial tem menor possibilidades de encontrar companheiros para formar uma família, pois dentro da história elas tornaram-se a espinha dorsal de sua família, que na maioria das vezes é constituída dela mesmo e dos filhos.
            O Brasil que foi favorecido por mais de quatro séculos pelo trabalho escravo, colocou de lado o seu principal agente construtor, o negro, que passou a sofrer muito, vivendo na miséria, sem emprego, sem possibilidades de sobreviver em condições dignas. Porém um dos males mais cruéis foi retirar da população negra a sua dignidade, ou seja, colocando o negro nos porões da sociedade.
            E o que mais reforça esse preconceito é a interiorização da condição de inferioridade da mulher negra, o ingresso no mercado de trabalho ainda criança e a submissão a salários baixíssimos. Mas não podemos deixar de considerar que esse horizonte não é absoluto e mesmo com todo esse preconceito racial há uma parcela de mulheres negras que conseguiram vencer as adversidades e chegar à universidade, utilizando-a para o inicio do seu sucesso profissional.
            Algumas obras literárias mostram como é difícil a mobilidade ascensional da negra, especialmente na conquista de um emprego melhor e digno, pois a maioria da população negra trabalhava e trabalha na informalidade, algumas mulheres negras conquistam melhores cargos no mercado de trabalho, mas necessitam de uma força muito maior do que outros setores da sociedade, muitas vezes pagando um preço alto pela conquista, deixando de lado o lazer, o namoro e o casamento. Pois, além da necessidade de comprovar a competência profissional, tem que lidar com o preconceito e a discriminação racial que lhes exigem maiores esforços para a conquista do ideal pretendido.
            Os dados do Ministério do Trabalho e da Justiça apontam às disparidades sócio-econômica ocorridas permanentemente entre pessoas negras e pessoas não negras, atingindo, sobretudo, a mulher negra, que se depara com a impossibilidade de usufruir das conquistas das quais só algumas parcelas dos seres humanos usufrui. 
            Na atualidade não podemos tratar a questão racial como elemento secundário e sem influência social, destacando apenas a problemática econômica e o descaso que o país passa hoje, e sim uma questão primaria e de interesse de todos independente de cor, raça e religião. Mas esse quadro vem se alterando ao passar do tempo, muito lentamente, e claro e os negros, vêm ampliando a participação no mercado de trabalho, inclusive as mulheres, que estão indo além das tradicionais profissões como professora e secretária e se mostrando tão capaz quanto os homens em profissões técnicas que não exigem apenas habilidades manuais.
            Todos nós nos originamos de estruturas sociais e educacionais e, ainda assim não conseguimos nos tornar alienados ou meros reprodutores das práticas e ações pré-concebidas com funções definidas, que nos impossibilitam de nos libertarmos dos estereótipos de gênero, constituído e justificados para legitimarem as desigualdades que as mulheres enfrentam, particularmente, as mulheres negras, que tem suas imagens associadas ao fracasso e a invisibilidade social.
            Diante dessa realidade, é imprescindível uma reflexão seria por parte de toda sociedade, e particularmente pela escola, que pode optar por praticas pedagógicas que se diferenciem das heranças culturais erigidas e naturalizadas nas representações sociais sedimentadas em tradições patriarcais milenares, construídas ao longo da história no Brasil. E essas concepções ideológicas têm impedido sistematicamente o sucesso da mulher negra, em todos os níveis na escala da sociedade, impedindo o seu crescimento pessoal e profissional. Mas é essencial que tenhamos cotidianamente uma educação pautada em praticas pedagógicas que combatam as discriminações e que visem à promoção da igualdade nas relações de gênero e de raça, pois certamente, se queremos um mundo melhor e dele necessitamos, devemos iniciar educando as gerações vindouras em prol da democratização das relações humanas.
            Mulheres e homens devem ser respeitados e valorizados em suas diferenças. A igualdade em direitos humanos deve ser uma questão de fundamental importância para a construção de uma sociedade em que não haja a perpetuação de cultura machista que faz a divisão entre homem e mulher, atribuindo-lhes papéis sociais no qual o gênero masculino sobrepõe-se ao gênero feminino, mantendo a subordinação e a desvalorização da mulher.
            A ausência da ascensão e participação da mulher negra na sociedade, demonstrado pelo histórico processo de impedimento e expressado de forma singular na discriminação e no preconceito, tanto na questão de gênero como nas dimensões referentes à raça e a classe social, denota uma tríplice discriminação que coexiste ainda na sociedade do século XXI. 
            A busca de igualdade de direitos e da valorização das pessoas é imprescindível à humanidade, independente do gênero social, da raça, da classe social ou de qualquer outro meio social existente.
            Torna-se, porém, impossível olhar por um viés único a discriminação, a submissão, a interiorização e a opressão que foram impostos historicamente à mulher negra, minimizando e tornando invisível o processo de resistência e de luta incessante dessa mulher contra as relações de poder hierarquicamente construídas, que insistem em legitimar e naturalizar as desigualdades nas relações de gênero, acentuando-se muito mais quando se trata da mulher negra.
            O homem percebe a necessidade de humanizar a si próprio, sente orgulho de sua afetuosidade. É competitivo, quando necessário, mas se enriquecendo sem a preocupação de separar aquilo que é masculino ou feminino. A mulher necessita reformular o conceito de que para ser mulher deva ser sempre dócil, passiva, e que coragem, agressividade e força sejam atributos exclusivos do homem e se torne também uma pessoa que não dependa só do homem pra sobreviver.
            É fundamental que a sociedade lute por maiores oportunidades e igualdades entre homens e mulheres. É necessário que estejamos sempre atentos às causas ou origens destas diferenças e para as conseqüências dessa discriminação.
            É necessário também ressaltar que a discriminação contra a mulher negra existe e esta alicerçada em nossa sociedade e cristalizada no inconsciente coletivo.
            Devemos entender que, se nos guiarmos pela a opção da discriminação, não será prejudicada e oprimida apenas a mulher negra, mas toda a sociedade.

REDAÇÃO PREMIADA EM ALAGOAS PELO GOVERNO FEDERAL, PRÊMIO CONSTRUINDO A IGUALDADE DE GÊNERO 
AUTOR: JONES PEDRO GOMES, Novo Lino - AL

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